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terça-feira, 19 de novembro de 2013

Do que esvazia.

Muitas coisas podem esvaziar um homem.
Poucas coisas podem preencher um homem.

12 horas de trabalho esvazia um homem.
Subempregos esvaziam um homem.
Prestações do carro esvaziam um homem.
A televisão esvazia um homem.

O álcool tanto esvazia quanto preenche um homem.

Solidão esvazia um homem.
(Bukowski mentiu solidão não deixa ninguém mais forte).
Comerciais esvaziam um homem.
Filas esvaziam um homem.
Salários mínimos esvaziam um homem.

A mulher tanto esvazia quanto preenche um homem.

Um time empatar 16 jogos no ano esvazia um homem.
(Que diabo adianta não tomar gol se não fizer nenhum)
Patrões esvaziam um homem.
Contas de água e luz esvaziam um homem.
Um homem esvazia um homem.

O amor tanto esvazia quanto preenche um homem.

O cristianismo esvazia um homem.
A igreja esvazia um homem.
Trens e metrôs seis da manhã esvaziam um homem.
Acordar cedo esvazia um homem.

A poesia tanto esvazia quanto preenche um homem.

domingo, 17 de novembro de 2013

Transando a noite inteira.

Outra vez estou aqui jogado
entregue em teus braços
outra euforia e outro trago
você me arrasta ao pecado.

Conversamos beijos
o idioma universal da carne
te fito os olhos e leio os desejos
o resto fica pra mais tarde.

Minha língua no seu intimo
algo estremece, contrai, molhado
se algo é mim é triste agora é ínfimo
vejo deus no teu corpo delgado.

Ofegantes, assistimos o alvorecer
não sei se é amor ou brincadeira
outro amanhecer
transando a noite inteira. 

Meu vicio.

Amanha já é hoje e parece o mesmo dia.

Tantas linhas nada dizem deitado horas e horas
tentando imaginar a cor do céu do outro lado do teto
não gosto de café nem de leite
nem de ódio nem de amor.

Sabe quantas vezes pensei em você hoje?

Ocupo minha mente com pensamentos
sem valor
as prioridades desse homem estão todas
erradas. 

Sempre odiei Holden Caulfield!

Sempre invejei Holden Caulfield
pois ele some quando atravessa a estrada
e eu nada
não sou Gregor Samsa, nem homem, nem barata. 

Eu sou William Foster no ponto de não retorno. 

O sangue enegrecido desce pelo ralo
amanha já é o hoje e parece o mesmo dia
lampejos de genialidade
disforia.

E você sabe quantas vezes pensei em você hoje?

sábado, 9 de novembro de 2013

Sabote-se.

Eu posso afirmar que entendo
os caras que ensaiam o salto nos trilhos do trem
 (Meio vila rica amassado no bolso).

Eu posso afirmar que entendo
os caras que explodem a cabeça com um tiro de 380
 (Puxa o fio dessa droga logo).

Eu posso afirmar que entendo
os caras que se penduram pelo pescoço
 (Comprime as artérias me tira daqui).

Eu posso afirmar que entendo
quem não quer mais jogar o jogo,
eu também sou uma casca vazia
de mim mesmo desprovido de
razão e emoção.

Tão violentado.

Em um mundo em que a solidão
agarra até mesmo os que estão
sempre acompanhados.

Eu posso afirmar que entendo
Os que só são descobertos 
desligados quando odor pútrido
do gás sulfídrico de alguns dias 
de decomposição chama atenção dos vizinhos
 (Vizinhos que nunca nos deram bom dia).

Quantas pessoas maravilhosas tiveram sua
pureza
bondade
serenidade
decência
razão
reduzidas a pó por pessoas que tiveram sua
pureza
bondade
serenidade
decência
razão
reduzidas a pó por pessoas que tiveram sua
pureza
bondade
serenidade
decência
razão
reduzidas a pó.

Eu posso afirmar que entendo
os caras que cortam o pulso até o final do antebraço
(É fácil afirmar que a desesperança alheia é clichê).

Eu posso afirmar que entendo
os caras mortos por overdose em um condomínio de alto padrão
(pessoas consomem pessoas)

Quando nenhum poema é capaz de dar escoamento a dor que sufoca no peito
só resta o
fim.
Sabote-se.

segunda-feira, 4 de novembro de 2013

Abnegação.

Angustia fria machuca entre as costelas,
Tempo é subjetivo
E eu não tenho controle da minha mente
Relapsus. Displicente.
Ninguém me ouviu gritar sozinho 03h23 da madrugada
de um domingo,
Ninguém pode mensurar o tamanho da minha dor
Só eu, eu só
e o diabo em mim.
Mas se você vem até aqui, seu perfume me da vida.
Desejo o mundo atrás da vitrine
Desejo a sua voz e seu sorriso
Desejo os fios do seu cabelo entre meus dedos
Desejo te escrever um poema de amor.
Sem desamor,
Estado de vida latente
Um drink com o diabo não aquece
Entre as costelas. Não mais.
Me dopa com a dopamina
Me morde
Me arranha
Me xinga
Me bate
Na cara, com força.
Depois deita no meu peito e ouve meu coração cantar
Junto com o seu em batimentos cardíacos acelerados e ritmados.
Então me conta sobre seu dia,
E ninguém mais entra nessa historia
que é só nossa.
E eu não sinto mais frio. 
E o tempo voa mais rápido que uma ave de rapina. 

"Por isso que você é assim meio louco. Não teve amor. Todo mundo precisa de amor. Isso arruinou com você."