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sábado, 9 de novembro de 2013

Sabote-se.

Eu posso afirmar que entendo
os caras que ensaiam o salto nos trilhos do trem
 (Meio vila rica amassado no bolso).

Eu posso afirmar que entendo
os caras que explodem a cabeça com um tiro de 380
 (Puxa o fio dessa droga logo).

Eu posso afirmar que entendo
os caras que se penduram pelo pescoço
 (Comprime as artérias me tira daqui).

Eu posso afirmar que entendo
quem não quer mais jogar o jogo,
eu também sou uma casca vazia
de mim mesmo desprovido de
razão e emoção.

Tão violentado.

Em um mundo em que a solidão
agarra até mesmo os que estão
sempre acompanhados.

Eu posso afirmar que entendo
Os que só são descobertos 
desligados quando odor pútrido
do gás sulfídrico de alguns dias 
de decomposição chama atenção dos vizinhos
 (Vizinhos que nunca nos deram bom dia).

Quantas pessoas maravilhosas tiveram sua
pureza
bondade
serenidade
decência
razão
reduzidas a pó por pessoas que tiveram sua
pureza
bondade
serenidade
decência
razão
reduzidas a pó por pessoas que tiveram sua
pureza
bondade
serenidade
decência
razão
reduzidas a pó.

Eu posso afirmar que entendo
os caras que cortam o pulso até o final do antebraço
(É fácil afirmar que a desesperança alheia é clichê).

Eu posso afirmar que entendo
os caras mortos por overdose em um condomínio de alto padrão
(pessoas consomem pessoas)

Quando nenhum poema é capaz de dar escoamento a dor que sufoca no peito
só resta o
fim.
Sabote-se.

1 comentários:

Patty Amarante disse...

Eu posso afirmar que te entendo
Correndo nem sempre em linha reta
Procurando algo que não sabe ao certo o quê.
Mas posso dizer sobre esse lamento
Que ecoa de nossas gargantas
Que
Não é o fim
Porque a guerra é nossa e nós é quem venceremos!
Sabote-os!

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