Retweet

Posts Recentes

sábado, 28 de dezembro de 2013

Tédio

Eu poderia encarar o mar durante 10 anos, 
nada vai acontecer.
Escrever uma centena de poemas,
você vai dizer que eles são bons... Afinal,
eles são.
Mas se eles não vão te trazer aqui,
para mim de nada servem.
Diabos, eu quero você,
construir ou destruir algo juntos, 
desde que juntos para mim tanto faz.
Como aquela noite ouvindo Amy winehouse
deitados se encarando no fundo dos
olhos e respirando nossos perfumes,
eu enrolando seus cabelos no meu dedo
indicador sem trocar uma palavra.
Apenas nossas almas queimando, 
juntas.
Com uma intensidade que jamais 
se teve registro em nossas historias.
O amor é um jogo perdido,
eu sei e você também sabe.
Uma paixão bomba atômica é o que quero, 
nem que tudo que reste seja cinzas.
Não tenho medo de sofrer,
só temo que minha poesia se torne
um tédio.
Eu e você segurando a mesma granada
sem pino, 
é o que eu quero.
Você também sente o tédio,
conversar com eles é tão chato.
Então nós vamos molhar nossos pés
e caminhar
na areia da praia do Leblon,
acender um baseado e conversar
sobre nossas ambições.
Cada um vai ler seu poema favorito de
Bukowski,
O meu sera Dinosauria-nós,
o seu eu não sei, talvez,
pássaro azul.

sábado, 21 de dezembro de 2013

O maldito

O maldito dos dentes podres,
ombros caídos,
olhar perdido,
observa atentamente outro dia mais,
outro dia menos,
tanto faz.

O maldito de coração ferido,
lendo o mesmo livro,
outra vez, 
outra vez,
observa atentamente e sabe que eles mentem,
mentem demais.

O maldito dos poemas ridículos, 
já viu esse filme,
em tantos outros natais,
observa atentamente os comerciais,
deus do céu,

eles mentem demais

O maldito dos poemas assimétricos,
entra no bar,
pede uma dose,
de paixão,
daquelas bem fodidas,
pra descer rasgando e fazer vomitar.
Observa atentamente que ninguém se ama mais.

sábado, 7 de dezembro de 2013

Saturação.


Se você cruza a esquina com eles, tem certeza
o aborto é a melhor ideia invariavelmente.
O declínio da alma é como estar saturado
musicalmente.
Você só usa o fone para se desligar do som
externo,
nem quer ouvir a musica de verdade.
Sempre as mesmas canções.
Mesmos refrãos,
que já nem fazem tanto sentido assim.
Exceto quando dançam os dias.
O único pecado é não viver a vida.
Em noites confusas não sei discernir
em qual ponto Chinaski termina e eu começo.
Só sei que William Foster em mim quer ir
para
casa.

- Às vezes você some - Ela disse.
- Tiro folga das pessoas que amo, para não odiá-las - Respondeu.
- Veja, lá vai um homem economicamente viável – Vociferou ele.

domingo, 1 de dezembro de 2013

23

Às vezes eu me surpreendo por não sentir nada,
em situações que sei, deveria estar sentindo algo.
Me pergunto “o que uma pessoa viva faria agora?” 
e tudo parece um tédio tão real que posso toca-lo.

Sempre me sinto a margem dos grupos.
Fora minha ausência de emoção nada mais surpreende,
eu escrevo por não ter para quem contar.
Eu escrevo por não ter com quem contar.

Mais um poema frustrado transmutado em bola de papel,
é  difícil acordar quando a vida que se projetou nos sonhos é melhor que a real.
Você já se perguntou o que é real? 
Vai ver tudo é sonho, tudo é ilusão.

Talvez uma cidade mais quente,
outro céu pesado pra encarar, a mesma lua vai estar lá.
Um novo projeto de solidão.
Novo lote de mentiras.