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segunda-feira, 27 de março de 2017

Reenvio

Chega uma hora que não tem mais o que falar
quer dizer, aquele vazio de sempre continua ali
o mesmo monstro de dentes serrados que sorri
quando você encara os trilhos do metro.

Lembra quando costumávamos ter esperança?
acreditávamos que tudo ia passar
era só uma fase
mas o sofrimento só minou nossa coragem.

Sinto areia na garganta
frio entre as costelas
que diabo, o mesmo papo de sempre
repetir palavras faz com que percam o sentido.

A verdade é que nunca estive tão sozinho
quando falo sozinho, falo sozinho
não sozinho na multidão, sozinho mesmo
santo deus, até meu cachorro morreu.


Sinto que meu coração não cabe no peito
não metaforicamente, não sou poeta
é como se ele estivesse inchando
quero mais é que exploda.

Meu corpo dó e eu sinto gosto de sangue
nunca estive tão cansado, nunca fiz tão pouco
faço tudo para encurtar essa triste passagem
por isso odeio quando o vento
fuma meus cigarros. 

1 comentários:

Ana Bailune disse...

Enquanto eu lia, lembrei-me de mim mesma entre 2011 e 2013. Até meus cães tinham morrido. Meu sobrinho tinha morrido. meu sogro tinha morrido, e minha mãe também, na noite de ano novo. A família desmoronou, desestruturou-se. meu marido entrou em depressão profunda e precisou de remédios.

Achei que estaria assim para sempre. Mas por incrível que pareça, passou.

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